Travessia do Bepe, um pedal de improviso.

 

Olá meus caros, depois de uma longa ausência em publicações, trago um breve relato e bastante fotos de um dos mais emblemáticos e difíceis pedais do Vale do Itajaí e talvez de SC.

Havia me programado para fazer 280km, entre as cidades de Rio dos Cedros e Presidente Nereu por asfalto e depois a Brusque pelo interior, voltando novamente a Rio dos Cedros via Gaspar por asfalto.

Mas quando chegou o dia, acordei na madrugada para ver chuva e trovoada, resolvi abortar por não conhecer o caminho, voltei a dormir e acordei já com o sol alto.

Tomei um lauto café da manhã, mas como o bicho da insanidade que criou a fama de louco(CrazyBiker) não me deixa, a cabeça fervia. Num primeiro momento pensava em fazer um segundo Gran Fondo(130km) no mês, indo a Ibirama e voltando, tudo asfalto, mas isso seria tedioso, já que o caminho conheço bem.

Pedalei até Apíuna ainda sem certeza do que fazer, mas ao ver as Serras que fazem parte do Parque Nacional da Serra do Itajaí, tomei a decisão, meio suicida, mas a única interessante. Iria fazer a travessia do Faxinal do Bepe, subindo de Apíuna, que é justamente o trajeto mais duro para ser escolhido.

O total foram praticamente 166kms rodados, totalmente sozinho. Mas para ter uma ideia, do que é esse pedal, desde a saída da BR470 em Apíuna onde comi um baita lanche e tomei uma cerveja preta para armazenar energias, até o ponto mais alto desse pedal, em aproximados 30km, sai de uma altitude média de 80 metros, para praticamente 800 metros já no Faxinal do Bepe. Nesse trecho, tem algumas descidas, mas nada que tire o desafio das subidas, ainda mais para quem não gosta de escalar.

Para quem não é daqui e não conhece, o Faxinal do Bepe é um reduto montanhoso encravado no meio do Parque Nacional da Serra do Itajaí, essas terras foram adquiridas do Governo Federal nos anos 50 pela família Molinari, os quais diante da região ser de terras magras, acabaram começando uma razoavelmente grande criação pecuária, inclusive por bom tempo com criação de búfalos.

Com o tempo o local virou uma Meca para aventureiros de toda espécie, desde moto trilheiros, jipeiros e por fim ciclistas ávidos por um bom desafio, todos os anos na sexta-feira santa eram feitas grandes festas, a família inclusive construiu uma pequena pousada para receber os aventureiros que quisessem passar a noite, sempre servindo bem a todos.

Com a criação do Parque Nacional, foram por fim forçados a em outubro de 2013 abandonar as terras que a décadas cuidavam e ir embora, quando foi feita uma última festa e rezada uma missa na Igreja que era mantida dentro das terras.

Eu conheci o local nos anos 90, de moto, sempre subindo pelo lado blumenauense, mas a idéia de atravessa de bike me incomodava já durante meses. Inicialmente iria por Blumenau por ser mais fácil e menos técnico, mas o desafio me incomodou tanto que resolvi fazer pelo pior lado.

O que me deixa mais triste é ver que o Parque foi criado, mas apenas depois de uns 30kms dentro do mesmo é que vi a primeira placa avisando que é terra federal e todas as construções agora se encontram abandonadas e depredadas e porque? Não seria mais interessante manter a família que tanto tempo cuidou ali e que pudessem ser funcionários do próprio parque para cuidar do local e afastar caçadores e outros tipos perniciosos e trazer uma segurança para quem fosse fazer a travessia?

Mas enfim….

Saí de Apíuna onde lanchei por volta de 13 horas, confirmei o percurso com moradores que me indicaram um caminho para economiza nas subidas, dei uma risada e segui meu caminho, subindo, subindo e subindo, saí de Apíuna com 2 garrafas de água além das caramanholas e na localidade de Vargem Grande, comprei mais duas.

Segui meu caminho metendo o pé e subindo cada vez mais, alguns poucos kms no caminho, já não se vê mais a civilização, apenas o vale com o rio cada vez mais fundo.

A medida que vai subindo a paisagem fica mais inóspita, até chegar num ponto onde não se vê mais nenhuma casa ou sinal de humanidade, apenas montanhas e mato.

O que mais mata nas subidas é que são intermináveis e quando cheguei no ponto mais alto a quase 800 metros de altitude, já estava sem água e acabei pedalando mais uns 30kms até abastecer, pois no riacho que parei para abastecer a água estava suja e resolvi não arriscar.

Quando cheguei na antiga porteira do Faxinal, já começava a escurecer. Comecei a apertar o passo e no acesso ao Parque das Nascentes a noite se mostrava e tinha mais uns 4kms para subir.

Depois de longos minutos subindo, começa a descida já no escuro em direção ao Bairro do Garcia em Blumenau e foi um grande alívio ver as primeiras luzes de casas depois de tantas horas sozinho e longe da civilização.

Parei no Centro de Blumenau para reidratar e segui para Rio dos Cedros para finalmente descansar, depois de longas 14 horas de pedal. Demorado? Sim. Acima do tempo que a maioria faz o trecho? Sim. Mas fiz esse pedal para ser um desafio pessoal e para ser contemplativo e tirar bastante fotos. Numa próxima oportunidade o farei de forma mais brutal.

Espero que curtam o relato e as fotos e se inspirem a pegar a bike e sair do sofá.

Ao final do texto seguem as coordenadas no Wikiloc e no Strava para quem quiser usar.

Agradeço aos meus apoiadores e parceiros.

Marcos e equipe da Happy Bike de Blumenau.

Ao Silvio da Cúpula Criativa que cuida do site (criação e publicação) e da arte do vestuário, assim como também esta trabalhando no meu site profissional.

Ao Elton da Impacto Fitness, que pode ir se preparando, antes do Natal sai o primeiro pedal de sábados da Academia.

Ao amigo Dorgivan.

E obrigado novamente a minha família, eles, que ficam sozinhos nas longas horas em que fico na rua treinando.

Aprecie as fotos clicando AQUI

 

Wikiloc:

Strava:

4 thoughts on “Série #Desafios2014 – Gran Fondo11-2 – Faxinal do Bepe

  • dezembro 1, 2014 at 6:19 pm
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    Muito show!! Quando ir novamente me convida!! Abs

    • dezembro 1, 2014 at 10:49 pm
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      Pode deixar, aviso sim.

  • novembro 30, 2014 at 10:51 pm
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    Parabéns cara, realmente o BEPE é bruto ainda mais que você foi pelo lado mais duro, eu te admiro sempre com essas loucuras, é massa continue assim.

    • novembro 30, 2014 at 11:05 pm
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      Valeu amigo. Vai aumentar ainda.

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