Caros amigos, ciclistas ou não, muitos sabem que passei o ano penando na bike, más decisões me deixaram sem bike boa parte do ano, engordei praticamente 25 quilos, tentei fazer dois BRM de 200k e quebrei em ambos com pouco mais de 100k, fui fazer o Desafio Kaiserberg, organizado pelo amigo/bruder Éder Strutz de Antonio Carlos e quebrei pela altimetria desafiadora, antes da metade do percurso e isso me deixou deveras decepcionado e agora esta na hora de deixar a lambança para trás e recomeçar.

 

O PRÉ VIAGEM

 

O último pedal expressivo que eu havia feito tinha sido um bate volta a Floripa em meados de 2015, após virar Super Randonneur e isso me deixava ainda mais decepcionado, pois todos sabem o meu gosto pessoal por pedais longos.

 

Diante disso, no decorrer do mês de novembro de 2016, surgiu a idéia de fazer um pedal no final do ano por parte do Estado, mas que fosse em formato de circuito, sem repetir estrada em nenhum momento e como adoro a região que margeia a BR 282, não foi difícil decidir o roteiro. Esbocei a idéia e o Éder me ajudou a montar o segundo dia, percurso esse que eu só conhecia de Nova Trento a Blumenau, o restante seria um enigma para mim.

 

Planos foram feitos em questão de horas como havia sido no Fléche de 2015, o roteiro daria em torno de 210k no primeiro e 185k no segundo dia, levando de brinde uma altimetria considerável na metade final do primeiro dia e na metade inicial do segundo dia.

 

A IDA, o primeiro dia.

 

Minha idéia inicial era fazer o pedal na semana entre Natal e Ano Novo, mas após conversar com a esposa e levar em conta que após o Natal já teria um considerável movimento de carros, principalmente na BR470 até Lontras, que é a pior parte dessa rodovia, optei por fazer o passeio nos dias 22 e 23/12.

 

Minha programação inicial era sair de casa as 03:00, mas o tempo chuvoso me fez atrasar e acabei saindo quase 06:00 e para andar o mínimo possível na 470 e também para manter a idéia de não repetir nenhum trecho do percurso, sai da Vila Itoupava para Pomerode, via Wundervald, depois peguei a rodovia a Timbó, dando aquela passada em parte de Rio dos Cedros, Rodeio, onde encontrei um outro ser pedalante, o Diego Milka que iria a Lontras visitar a mãe e acabamos combinando de seguir essa parte do percurso em conjunto.

 

Entramos na 470 em Ascurra e em Apíuna fizemos minha primeira parada na tradicional parada dos bikers da região, a Padaria Senem, onde a internet já conecta automaticamente no celular, até esse ponto tudo tranquilo, em torno de 70k rodados.

 

Seguindo viagem, passamos o acesso de Ibirama e ai enfrentamos aquilo que é um pesadelo ciclístico pela segurança, os quase 5k da Serra São Miguel, trecho esse famoso pelos acidentes, onde se divide a estrada com carros agoniados, com caminhoneiros que curtem uma fina educativa, mas por fim a subida foi tranquila, sem maiores problemas, rápida para no Posto Pilão para pegar água, seguimos a Lontras pelo primeiro acesso secundário e no centro da cidade cada um seguiu seu próprio caminho.

 

Baixei a cabeça, pensando em chegar em Rio do Sul para almoçar, passei rapidamente pela cidade só tirando algumas fotos na entrada e parei para almoçar num restaurante na saída para Ituporanga e como o tempo mostrava estar mudando, foi uma parada rápida, abastecimento de água e voltei para a estrada, mas já na saída começaram uns pingos tímidos e ao chegar no inicio de Aurora, a chuva desceu quase que torrencialmente, chegando aquele momento de pensar o que estava fazendo ali. P.s.: foi uma muito breve reflexão, afinal, nada mais energizante do que imaginar quem seria o próximo a me chamar de louco no caminho.

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Aurora também foi aquela passada rápida, algumas fotos e bora para Ituporanga, até lá o tempo já estiou de novo saindo aquele solzinho chato que com a umidade da chuva que havia caído, trouxe aquele bafo característico da nossa região. Mais uma parada rápida num posto na saída da cidade para abastecer de água e café, afinal seriam aproximadamente 40k de montanha russa sem muitas opções de abastecimento, logo segui viagem, definitivamente deixando a civilização para trás, as casas rareando cada vez mais, acostamento inexistente ou péssimo e assim seria até chegar na BR282.

 

Esse trecho, mais ou menos após o Parque da Cebola em Ituporanga, até atravessar a divisa de Ituporanga com Alfredo Wagner, vale a pena conhecer, longos trechos de sobe e desce, a paisagem que se visualiza por longa distância, com campos cobertos principalmente por plantações de fumo e bastante áreas de matas fechadas nos morros e no primeiro dia foi esse trecho que me fez ter vontade de ter a disposição ali uma estradeira, porque de Mtb acaba sendo meio entediante aqueles inúmeros sobe e desce.

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Na metade do caminho na localidade de Barra do Rio dos Bugres, uma miragem, um mercadinho na beira da estrada, entrei no dito cujo mercado do Seu May, que ao lado tem um restaurante e lanchonete, sentado ao redor do caixa meia dúzia de srs aposentados trocando figurinhas, olharam para mim como se fosse um extraterrestre, indaguei ao caixa sobre lanches e ele disse que a cozinha não estava operando, mas ele vendo a situação lamuriosa da pobre alma, me ofereceu um sanduiche de micro-ondas, o qual aceitei com uma latinha de malzbier e algumas paçocas.

 

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Dali em diante eu apenas iria tirar mais algumas fotos em movimento e uma na divisa intermunicipal para não perder mais tempo, pois nublado como estava, estava correndo o risco de pegar parte da 282 no escuro, o que não seria prudente, foi a hora de novamente baixar a cabeça e socar o pedal sendo que cheguei no trevo de acesso a BR282, com mais ou menos 200km rodados, dentro do que seria o tempo limite para um Audax 200, algumas rápidas fotos no portal e segui viagem agora na 282, sentido Florianópolis por mais uns 13km, para chegar no ponto de pernoite, o Paradouro Battistella, já velho conhecido meu de outros carnavais, consegui chegar ali quando começava a escurecer.

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Banho tomado no hotelzinho de poucos quartos do próprio Paradouro, fui fazer aquele lauto jantar, sendo que o chapeiro das carnes, que tinha me visto chegando, indagou sobre minha origem e acabou se apresentando como um pseudo ciclista, e acabou me rendendo algumas boas peças de carne mal passada(aprendam, sempre faça amizade com o assador e o garçom, o lucro é seu).

 

Gatunei a internet do restaurante pois a do hotel providencialmente estava com problemas, postei a atividade no Strava, atualizei família e amigos no whatsapp e fui dormir já antes das 22hrs, o que para mim é cedo, o hotel alardeia tv a cabo, mas a programação se limita aos canais de uma parabólica comum, então o sono se tornou uma obrigação e se mostrou muito importante no decorrer do segundo dia.

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Abaixo segue a galeria das fotos do dia e o roteiro do dia. Logo posto o segundo dia da epopeia.

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7 thoughts on “O Pedal do Solstício, Dia 1- Blumenau a Alfredo Wagner via Vale do Itajaí

  • janeiro 8, 2017 at 1:55 pm
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    Show Nésio !!!

    Muito legal broo ! Parabéns pela empreitada !

    Eu fiz esse do trecho do primeiro em 2009 e dormimos em uma pousada em Alfredo Wagner, estávamos a caminho de Bom Jardim …

    Abração !!!

  • janeiro 8, 2017 at 1:45 pm
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    Show Nésio !!!

    Muito legal broo ! Parabéns pela empreitada !

    Eu fiz esse trecho em 2009 e dormimos em uma pousada em Alfredo Wagner.

    Abração !!!

  • janeiro 2, 2017 at 3:58 pm
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    Bacana hein… parabéns pela dedicação!

    • janeiro 2, 2017 at 4:10 pm
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      Valeu amigo. Amanhã sai o relato e as fotos da volta.

  • janeiro 2, 2017 at 3:49 pm
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    Parabéns Leitzke…. apesar do tempo parado, e todos os outros inconvenientes desse a volta por cima em um pedal épico. Pedal dessa magnitude realmente é para poucos…. ansioso para ler a segunda parte do relato, e mais uma vez Parabéns e que venha outros desafios pela frente.

    • janeiro 2, 2017 at 3:55 pm
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      Valeu bruder. Agora quero ver fazer junto o roteiro…..e o Bepe no fim de semana agora.

  • janeiro 2, 2017 at 1:10 pm
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    Pedal show… Parabéns pela determinação e coragem…..

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