AUDAX 200KM RIO DO SUL

Antes de falar do AUDAX 200K DE Rio do Sul, cabe mencionar a participação em junho da malfadada tentativa de fazer meu primeiro Audax 200k, em Balneário Camboriú. Várias situações conspiraram contra isso, meu psicológico não estava tão bem como eu imaginava, fui apenas no dia da prova para lá, o que colabora para uma situação de ansiedade desnecessária, não providenciei alimentação por conta, contando com os PCs, que infelizmente nessa vez, não estavam como se esperava, saímos em direção a Itajaí e ainda em BC eu e mais um pelotão erramos o caminho o que nos fez perder já de saída uns 12km a toa, e para finalizar, quando estava em Brusque, faltando em torno de 80km, estava no limite do tempo e um dos colegas de pedal sofreu um acidente que me fez desistir e acompanha-lo ao hospital e por consequência abortar o sonho de fechar em 2013 a série do Audax até os 1000km, tendo em vista que o 300k seria apenas 2 semanas depois. Sonho abortado, não restava alternativa que não fosse esperar a abertura do calendário 2014 e começar cedo.
Essa quebra no plano, me fez perder o foco na dieta e nos treinos, o que acabou gerando uma retomada de peso, voltando a acumular 8 kilos dos 20 que tinha perdido até então no ano.
Quando se aproximava novembro e a abertura do calendário 2014, retomei com disciplina a dieta e os treinos, visando fazer a primeira prova de 200km que surgisse no calendário e quando este foi divulgado, surgiu a oportunidade de ser em Rio do Sul a minha primeira chance de brevetar os 200, prova marcada, deixei para pagar a inscrição na última data possível, para poder no último fim de semana antes da prova, fazer um teste acima de 100k e testar minhas condições.
Teste este feito em 27/10, uma semana antes do Audax, saí de casa as 06:00 da manhã em direção a Massaranduba, ainda com chuva, cruzei Massaranduba até no trevo de Guaramirim/Jaraguá do Sul(BR280), atravessando Jaraguá do Sul, saiu o sol com força total, começando a me fritar e mostrando minha falha de planejamento ao não contar com a eventualidade e não tendo levado protetor solar, pedalei em direção a Pomerode, passando alguma dificuldade tendo em vista que o sol me castigou bastante, chegando no topo da serra entre Jaraguá do Sul e Pomerode, surge a chance de abortar o pedal e voltar para casa pelo interior, o que tornaria  eu domingo mais fácil, mas diminuiria em torno de 40kms do total que tinha me proposto e não fecharia o mínimo de 100km.

Passada a tentação de fugir do sofrimento, desci a serra em direção a Pomerode, chegando no plano, passei pelo grupo do Marcos Huskes da Happy Bike, meu apoiador, que pedalavam em direção ao Parque da Malwee, mas de speed, continuei em direção a BR470, Terminal do Aterro, voltando para casa pela Dr Pedro Zimermann, chegando em casa com 120kms rodados, com média de deslocamento acima de 20km/h e média efetiva de 17,6km/h, o que equivale a uma sensível folga para conclusão de um Audax dentro do tempo limite.
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Passado o teste físico, restou pagar a inscrição, ir a Benedito Novo pegar minha camisa personalizada, confeccionada pelos irmãos Adilson e Silvano Balsanelli da MBL/Furbo, além deles, contei nessa fase inicial do projeto com o apoio do amigo Silvio das Neves Junior, proprietário da Cúpula Criativa, que criou o site e desenhou a camiseta, ainda o amigo Dorgivan de Mossoró/RN que gentilmente me apoiou sem esperar nada em troca, sendo um cara totalmente abnegado e grande camarada, assim como o Elton da Academia Impacto Fitness que também se tornou meu apoiador.
 
Camisa na mão, acabei negociando uma bike nova, para melhorar um pouco as chances, contando novamente com o apoio do Marcos e equipe da Happy Bike, troquei minha KHS Alite 350, com seu modesto conjunto Acera/Altus, por uma bike ORBEA Alma H60 29er, equipada com suspensão Rock Shox, conjunto Deore/SLX de 30v, com trocadores Deore, uma grande mudança de última hora(2 dias antes da prova), que viria a melhorar consideravelmente meu rendimento.
 
Chegado o sábado, levei minha família para Rio dos Cedros nos meus sogros e parti de tarde a cidade de Rio do Sul, para me hospedar no Eduardos Hotel, defronte ao local de largada e onde a maioria dos ciclistas de fora ficaria.
Fiz o check-in no hotel e desci para ir retirar o kit, quando vejo chegando com sua esposa o amigo do facebook, Marcio Franciski de Joinville que até esse momento não conhecia pessoalmente, mas que viria a ser meu companheiro de pedal no dia seguinte, da largada a chegada. Apresentações feitas, fomos procurar o local da retirada dos kits, o que se tornou um pouco confuso, pois não havíamos visto o email da organização que informava exatamente esse local. Kit retirado voltamos ao hotel e optamos por procurar um lugar onde poderíamos comer um bom prato de macarrão e garantir a reserva de glicogênio pro dia seguinte, aqui tomamos nas costas, pois o rapaz do hotel nos sugeriu um restaurante que segundo ele servia uma boa massa, fomo lá, comemos, mas nos arrependemos de não ficar com a pizzaria ao lado do hotel, pois era um daqueles locais onde se vai para ostentar e não comer, comida boa, mas uma micharia no prato que não alimenta nem uma criança de 5 anos e com um preço que daria para uma família inteira comer por uma semana.
Jantados e decepcionados de certa maneira, mas ao menos conseguimos conversar bastante e nos conhecer bem e traçar uma certa estratégia pro dia seguinte, voltamos ao hotel para supostamente dormir e descansar, tendo ficado combinado que a esposa do Marcio, a Angela que iria acompanhar o marido de carro entre os PCs, levaria algumas coisas para evitar carga desnecessária, como em BC passei um perrengue com falta de alimentação no caminho decidimos que ela compraria alguma água e frutas no mercado e levaria no carro, para nos garantirmos, definido isso, fomos aos nossos quartos para o suposto sono, que na realidade não passou de um leve cochilo, pois do despertador estava programado para as 04:15 e eu antes das 02:00 já estava indo no carro pegar coisas e outros como o Christien de Floripa já estavam na atividade, também acordados com a síndrome de ansiedade pré-prova.
 
A partir das 04:30 todos nos encontrávamos na sala de café do hotel onde foi servido um café da manhã bem farto e variado com bastante frutas, sucos naturais e lanches, café tomado, chegou a hora de ir ao quarto, pegar a bike e ir ao local da largada, ali mesmo próximo ao hotel, no Posto Seola.
 
Check-in feito, tudo ok, 2 caramanholas na bike e 1 na pochete de hidratação, largamos as 06:00 em ponto em direção a Lontras, que atravessamos seguindo para o PC virtual no km 25, que estava algumas centenas de metros subindo a serra que leva a Presidente Nereu, passado esse PC voltamos pelo mesmo caminho, em direção a Rio do Sul e ao PC1 no km 55, localizado na WB Bicicletas, chegamos com tempo mais que de folga, era um PC bem organizado com uma recepção impecável, bastante frutas, água, isotônico, lanches, reabastecidos, era hora de partir.
 
Partimos de Rio do Sul eu, o Marcio e desde o PC1 a Patricia Barcellos e seu marido o Maury Alexandre Vieira dos Santos, cruzamos algumas ruas da cidade, saímos na 470, depois de alguns kms, entramos a direita em direção a Laurentino e Rio do Oeste. Em Rio do Oeste, precisávamos ir até o final do asfalto, logo após a Igreja e voltar para o PC2 no km 80.78, instalado numa barraca no pátio da Prefeitura da cidade, PC bem servido com águas e frutas, fizemos uma breve parada para descansar e pro Marcio fazer o controle da sua glicemia, cara forte esse, mesmo tendo que fazer de tempos em tempos o controle da glicemia, pedala muito, foi uma grande sorte pedalar com ele.

 
Passado o PC2, partimos de volta a BR470, a qual subiriamos um pouco para entrar no Trevo de Agronomica, chegando no Centro, precisávamos pegar a direita até no fim do asfalto onde no km 101.56, tinha um PC virtual para fazer o controle de passagem, lá encontramos novamente com a Angela, a esposa do Marcio e como até esse ponto os PCs estavam bem servidos de água e frutas, pedimos que ela comprasse em algum assadão no caminho até no PC3 em Ituporanga, um frango para repor as proteínas.
 
Desse PC virtual até Ituporanga, ficamos revezando no caminho o pedal com a Patricia e o Maury, o que colaborou muito para manter uma boa média de velocidade, sendo que as 12:45, quando deu a metade do tempo regulamentar para fechar a prova, já havíamos pedalado 127kms, o que nos dava uma folga considerável para finalizarmos com tranquilidade, chegando no PC3 em Ituporanga, no km 139.01, na Loja Enéias Bike, nos aguardava além das frutas e da água, o nosso frango, que devoramos na rua mesmo, ficamos ali por um tempo, pois veio nos encontrar de moto o Dalton Volles de Joinville, meu amigo do Facebook e amigo pessoal do Marcio, esse PC acabou sendo de um alto astral incrível, o que ajudou para o que enfrentaríamos a seguir no caminho de Petrolândia.
 
Do PC3 até no PC4 eram apenas 18.70 kms, mas o detalhe que saindo de Ituporanga começam algumas subidas leves que vão subindo aos poucos, culminando na temia subida da Serra do Perimbó, onde já havíamos pedalado próximo de 150 kms, nesse trecho entre os dois PCs, achamos vários ciclistas que retornavam a Rio do Sul, o que nos mostrava que não estávamos tão fora do tempo médio da galera, estavam por ali o Chris de Floripa com a Rafaella Dellagiustina, no primeiro topo do Perimbó, encontramos o Irineu Lenzi Junior de Timbó, todos de speed, nos animando para chegarmos logo no ponto de retorno, ainda na Serra do Perimbó, começou a chover forte, chuva essa que parou um pouco após o PC4.
Pouco antes do PC4 em Petrolândia no km 157.71, encontramos novamente a Patricia e o Maury, já retornando, pois haviam tomado uma certa dianteira, esse PC em Petrolândia foi muito acolhedor, nos receberam muito bem, com o pessoal querendo saber o que move alguém para pedalar tantas horas seguidas num fim de semana e contava ainda com uma iguaria rara, um delicioso arroz doce, feito por uma moradora da cidade, muito gostoso, bem ao estilo que os antigos colonos da nossa região faziam nos domingos de sobremesa.
Em Petrolândia o Marcio ainda deu uma volta para próximo ao PC visitar um barzinho que era do pai de uma colega de trabalho, lado social feito, partimos para o ataque aos últimos kms em direção a Rio do Sul, chegando em Ituporanga, tem uma subida bem sacana, próxima a saída em Rio do Sul, mas após a subida obviamente tem uma bela descida onde aproveitei para pedalar a valer, passando numa lombada eletrônica a mais de 50km/h, pensando em como o DNIT vai fazer para mandar a multa….hehehe, não resisti…
Após a saída de Ituporanga, faltavam menos de 30 kms para finalizarmos e passamos a fazer contas de como ainda podíamos ir empurrando a bike e chegar dentro do tempo, mas para nos lembrar de que o tempo pode ir contra nós, voltou a chover de forma bastante intensa, o que complicou um pouco as coisas, pois o acostamento encheu de água e era ruim para pedalar pelo excesso de água, sujeira e buracos, principalmente entre Ituporanga e a Policia Rodoviária Estadual de Aurora, mas mantivemos o ritmo. Chegando no Posto da Polícia Rodoviária, fizemos mais uma parada para o controle de glicemia do Márcio e seguimos em direção a Rio do Sul, nesse trecho nos divertimos a beça, fazendo contagem regressiva de km a km, seguindo assim em direção a chegada no Centro de Rio do Sul, novamente no Posto Seola.
Chegamos fazendo festa, fotos tiradas, a Angela entregou o certificado e a medalha para o Marcio e esse entregou o meu certificado e medalha para mim, uma honra, pois o cara pedala muito. Queria ainda descobrir o que andaram falando de mim, pois quando falei meu nome, causou uma certa comoção, o pessoal perguntando se eu era o tal do Eleonésio que  a galera havia falado durante a tarde…..???Vai saber???? Quase uma lenda…kakaka.
 
No geral, a prova foi muito bem, tinha me proposto a terminar em 12:00 horas e terminamos em 12:09 horas, ou seja, meta alcançada, agora cabe partir para os treinos para melhorar as condições para enfrentar o 300k em 2014 e fechar a série até no 1000k.
Passada a emoção da chegada e o sentimento de dever cumprido, chegou a hora de prender a bike no carro, tomar um banho e me jogar de volta para Rio dos Cedros, pegar minha família e voltar para casa.
Cabe aqui um agradecimento a minha esposa que me da suporte para meus treinos e aguenta minha dieta rígida nos últimos meses e aos meus filhos que entendem minhas ausências por longas horas no fim de semana. OBRIGADO FAMÍLIA.
 
Novamente agradeço a quem me apoiou nessa fase inicial, a Marcos e equipe da Happy Bike, ao Elton e equipe da Academia Impacto Fitness, ao Silvio da Cúpula Criativa(site e arte da camisa), ao irmãos Adilson e Silvano Balsanelli da MBL/Furbo de Benedito Novo, responsáveis pela confecção da camisa de ciclismo e por fim ao Dorgivan, meu amigo Potiguar que conheço por hora apenas do Facebook e que virou meu apoiador no projeto.
UM AGRADECIMENTO ESPECIAL AO MARCIO FRANCISKI, PELO GRANDE COMPANHEIRISMO POR TODOS OS 200KMS, FOI UMA GRANDE SATISFAÇÃO CONHECÊ-LO PESSOALMENTE E PEDALAR AO TEU LADO. AGUARDO O PRÓXIMO PARA PEDALAR E RIR A VALER E UM ABRAÇO ESPECIAL AO GRANDE ULTRAMAN ANTONIO NASCIMENTO QUE GENTILMENTE PARTILHA DE SUA EXPERIÊNCIA EM PROVAS DE LONGA DISTÂNCIA.
Quem merece um item destaque a parte é a bike, troquei minha KHS Alite por uma ORBEA Alma H60 29er, como já dito acima, equipada com suspensão Rock Shox XC 30, conjunto Deore/SLX de 30v, com trocadores Deore. Essa bike é um primor, corre muito, é uma bike extremamente rápida, tanto em velocidade, quanto em manobra, segura, com boa retomada, a troca de marchas é extremamente precisa, o conjunto DEORE/SLX, responde muito bem, mesmo com muita água, pedalei com ela por aproximadamente 50kms com chuva forte, lama e sujeira nos acostamentos e em nenhum momento houve qualquer problema. A única dificuldade que senti foi com relação ao selim, pois como a bike saiu da loja apenas dois dias antes da prova, não tive tempo de me adaptar e após o km 140, causou um certo desconforto que foi aumentado pela presença da chuva, mas mesmo assim, não prejudicou o desempenho no geral. Nota 10 para a bike.
 
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